“Desistir” não existe no meu dicionário

logo_coluna_helio-2Olá amigos!

Estou até agora pensando no que aconteceu sábado passado, no Iowa Speedway. Depois de ter feito a Pole Position, liderado por 50 das 300 voltas da prova e de estar diretamente na briga pela vitória por mais da metade da corrida, a coisa mudou de rumo e eu terminei em 11º, às duras penas. Como pode? Vou tentar explicar.

Pra começar, é verão aqui nos Estados Unidos e o fato de a corrida ser noturna, apesar do sol que ainda reinava na largada, acabou sendo um alívio porque, na hora do Qualifying, o calor estava bem acima de 30ºC e muito abafado. Fiz uma ótima classificação e consegui a Pole, mas as mudanças de temperatura, umidade e pressão do ar, para a corrida, provocaram grandes mudanças na pista, principalmente na segunda metade do Iowa Corn 300 Grand Prix.

Vocês sabem que, no oval, a Pole não é tão fundamental assim, como ocorre nos circuitos de rua, por exemplo. Não me entendam mal, por favor. Não estou dizendo que a Pole não é importante em oval, muito pelo contrário. Quantas vezes a gente já não viu acidentes no meio do pelotão em largadas? Se a gente larga na frente, a chance de se envolver em confusão é muito menor. Mas é verdade também que as circunstâncias de uma corrida em oval fazem com que, mesmo o cara que larga em último, tenha chances de vitória. Vocês viram o que aconteceu comigo em Milwaukee, né? Foi isso que eu quis dizer.

Mas, voltando ao assunto, mesmo largando na Pole, você se depara em poucas voltas com a grande característica de um oval curto, que é o tráfego. E Iowa é o que podemos chamar de curtíssimo, pois tem menos de uma milha. Dá mais os menos 1400 metros, com a volta sendo feita na casa do 17 segundos.

A realidade é que você encontra tráfego muito rapidamente e isso significa que desaparece muito rápido aquela vantagem de pista livre que o Pole tem. Isso provoca muita turbulência e o carro fica sujeito a uma mudança de comportamento quando a noite vai chegando.

No meu caso, a mudança de pressão do ar fez com que meu carro passasse a sair muito de frente e nada do que a gente fez durante os pits permitiu que eu retomasse a condição de equilíbrio do início da corrida. Resultado disso foi a perda de posições e um esforço muito grande para terminar a corrida.

Em termos de campeonato, o lado bom é que consegui diminuir em 15 pontos a minha diferença para o líder Juan Pablo Montoya, o que é uma boa notícia. Se a gente observar que ainda estão em jogo 212 pontos e eu estou atrás do Juan Pablo 54, dá para ver que ainda tem muito chão pela frente e minhas chances continuam boas, apesar de faltarem apenas três corridas.

Como quem morre na véspera é peru, vou lugar por esse titulo até a última curva da última volta da última corrida. No dicionário do Castroneves, “desistir” é uma palavra que não existe. Então, forte abraço e até ​semana que vem!

O Grid de Largada integra o grupo de veículos de comunicação, em língua portuguesa, que publica semanalmente a coluna do piloto de Fórmula Indy Helio Castroneves, sob licença da Castroneves Racing, Miami, USA. Todos os direitos reservados. Contatos: americo@heliocastroneves.com

PRI_2015

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