O fã quer ver disputas e competitividade, não acidentes.

logo_coluna_helio-2Olá amigos!

Estou de volta aqui com a minha coluna semana e hoje eu quero falar de algo que me parece muito importante, mas sem deixar de falar das corridas mais recentes.

A prova do Texas foi muito interessante e foi muito bom voltar ao circuito oval e constatar o resultado positivo de todo o trabalho feito pela Chevrolet, Honda e a IndyCar em nome da segurança. Como vocês se recordam, alguns carros voaram – inclusive o meu – durante os treinos para a Indy 500. Lá mesmo foram feitas modificações e o fato não voltou a ocorrer mais. Apesar disso, havia uma atenção especial para o que pudesse acontecer no oval do Texas, mas em nenhum momento tivemos nada parecido, o que nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Segurança em primeiro lugar.

Digo isso com toda a tranquilidade porque tenho certeza de que o público do automobilismo, em casa ou na pista, não ficam esperando por acidentes, como alguns pensam. Quando acontece alguma coisa na pista, o público sofre com a gente. Cansei de ver isso na minha carreira e voltou a se repetir no meu acidente em Indianapolis. Quem acha que o público vibra com essas coisas que muita gente chama de “espetacular”, na minha opinião, não conseguiu entender o que vai pelo coração do torcedor. A grande reação de alívio que o público demonstra quando o piloto sai andando, sem danos físicos, é a prova disso. Eu percebi como foi grande e emocionante a vibração da galera quando viu que eu não tinha me machucado.

Isso porque o público quer ver velocidade, disputa, estratégia, ousadia, várias equipes lutando pela vitória, pilotos brigando entre si de forma ética e respeitosa. Tenho certeza que o fã quer ver o espetáculo acontecendo a partir do talento e da competência. A reação das pessoas é o termômetro do que a gente faz.

Da mesma forma que o torcedor fica alucinado com uma disputa de alto nível, perde a sua motivação se um mesmo cara ganha o tempo todo, sem dar chances para os outros. Não me entendam mal, por favor. O piloto não tem de dar chance para ninguém. Se o cara tem chance de entrar lá e vencer 100% das corridas, parabéns para ele. O que não pode é um formato de esporte que faz você saber, antes da coisa começar, quem será o vencedor. Não há motivação ou paixão que aguente.

O resultado do Texas mostra bem isso. Quem olhasse para a fase de preparação e o Qualifying, provavelmente iria apostar na vitória com sobras da Penske. Só que na pista se confirmou a vocação da IndyCar, que é a de ter o maior número possível de times em condições de vencer. Obviamente que a Penske tem um potencial maravilhoso e tem demonstrado isso com os seus quatro pilotos. Mas nem por isso é a única que vence. Já tivemos vitórias da KV, CFH, Andretti, Schmidt e a Ganassi fez dobradinha com o Dixon e o Tony.

Tudo isso faz o campeonato estar mais apertado do que nunca, o que faz de cada corrida uma verdadeira decisão. Eu estou em 4º e domingo agora tem corrida em Toronto, mais uma chance de eu ir melhor ainda do que o meu 3º lugar no Texas.

É isso que o público quer ver, pilotos disputando forte por vitórias e o campeonato, mas sem acidentes. Eu entendo que o público é apaixonado pelo esporte e pela disputa, não por tragédias.

É isso, pessoal. Forte abraço e até semana que vem.

O Grid de Largada integra o grupo de veículos de comunicação, em língua portuguesa, que publica semanalmente a coluna do piloto de Fórmula Indy Helio Castroneves, sob licença da Castroneves Racing, Miami, USA. Todos os direitos reservados. Contatos: americo@heliocastroneves.com

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