Roger Penske: O dono de 16 Indy 500.

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Oi pessoal, tudo bem?

Depois de uma passagem relâmpago em casa (Fort Lauderdade) praticamente só para trocar de mala, já estou a caminho de Detroit, onde neste fim de semana acontece a sequência do Verizon IndyCar Series com a rodada dupla em Belle Isle. É um circuito de rua num parque belíssimo e as corridas sempre são muito emocionantes e disputadas. Esse é o primeiro ato da retomada do campeonato, depois de um mês de maio inteiro dedicado a Indianapolis.

Ainda na noite de segunda-feira, 25, participei do banquete de premiação no Indianapolis Motor Speedway, último compromisso da 99ª Indy 500. Foi uma ocasião de bastante alegria para todos nós do Team Penske, pois pela 16ª vez o nosso capitão Roger Penske faturou a prova mais importante do calendário. Três dessas conquistas, como vocês sabem, foram comigo em 2001, 2002 e 2009. E agora foi a vez do Juan Pablo Montoya.

Roger Penske (Foto: AP Photo/AJ Mast)

Roger Penske (Foto: AP Photo/AJ Mast)

O Team Penske como um todo teve uma jornada muito positiva em Indianapolis. Os quatro carros estiveram sempre entre os primeiros durante os treinos de preparação, colocamos três carros nas duas primeiras filas do grid e fechamos a maratona das 500 milhas com os quatro carros entre 1º e 10º. Vendo assim, de uma forma macro, o Team Penske ratificou em Indianapolis o que tem sido feito desde o início da temporada e indica o que vem pela frente.

Apesar disso, não posso esconder de vocês a verdade sobre a minha corrida. Ela foi frustrante de um lado e preocupante de outro. A frustração, obviamente, foi pelo fato de não ter podido lutar pela vitória na parte final da corrida. Fui bastante conservador no início, mas mesmo assim estive sempre no grupo da frente, inclusive ocupando a liderança. Era uma estratégia bem consistente para a gente chegar forte no final.

Mas com o desenrolar da prova, eu fui perdendo eficiência aerodinâmica e, na prática, eu tinha dificuldades nas ultrapassagens. Eu conseguia chegar no carro da frente, mas quando eu tirava para passar o meu carro não deslanchava. A gente tentou modificar a aerodinâmica durante a prova e reconheço que melhorou um pouco, mas não o suficiente.

Agora eu quero comentar com vocês uma coisa que me chateou. Fiquei sem acreditar no nível de agressividade desnecessária de gente que coloca em risco as próprias vidas e as dos outros. Só para citar dois exemplos, eu levei uma fechada do Charlie Kimball que me levou um pedaço do spoiler dianteiro direito. Já o Hildebrand foi tão agressivo que faltou um triz para ele provocar um acidente muito sério. Ainda bem que ficou só no susto, mas cedo ou tarde esse estilo inadequado acaba cobrando seu preço.

Por favor, não me entendam mal. Acho legítimas as defesas de posição e a impetuosidade nas pistas. O que diferencia um piloto de outro é a sua capacidade de superar limites, mas é preciso saber diferenciar ousadia de irresponsabilidade, agressividade de suicídio, manobra corajosa de criminosa. Esses pontos devem fazer cada vez mais parte da agenda da categoria para que tragédias não maculem sus história.

É isso aí, semana que vem de Detroit a gente volta a falar.

Valeu!

O Grid de Largada integra o grupo de veículos de comunicação, em língua portuguesa, que publica semanalmente a coluna do piloto de Fórmula Indy Helio Castroneves, sob licença da Castroneves Racing, Miami, USA. Todos os direitos reservados. Contatos: americo@heliocastroneves.com

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