Ascensão da Scuderia 111 à Stock Car

Ascensão da Scuderia 111 à Stock Car

Equipe foi campeã da divisão de acesso em 2010 e garantiu lugar no grid da principal categoria do Brasil; peças e profissionais aumentam o orçamento.

Não é só o futebol que conta com as Séries A e B. A Stock Car também tem categorias diferentes: a Stock Car V-8 e a Copa Montana. Mas diferentemente do Brasileirão, aqui apenas um time sobe para a categoria principal. Em 2011, a grande felizarda foi a Scuderia 111, chefiada por Carlos Chiarelli. Após ser a campeã do acesso na temporada passada, a equipe paulista garantiu seu lugar no grid de largada com Alan Hellmeister e Júlio Campos. Mas, para isso, eles tiveram que se preocupar com números, fazer contas e contratar mais pessoas.

Uma temporada de Stock Light (antigo nome da divisão de acesso) custa uns R$ 450 mil por carro; aqui é R$ 1,5 milhão. A diferença está em várias coisas. Esse equipamento é muito mais caro, porque ele é importado. A mão de obra também é mais cara, porque, como é mais competitivo, você acaba tendo que procurar profissionais específicos. Então, se aquele engenheiro é bom, ele é valorizado no meio e acaba custando caro. A V-8 é cara por isso, é muito mais por mão de obra e um pouco do carro – explicou Carlos.

O novo carro, de Alan Hellmeister, e a antiga máquina, de Rafael Daniel: as mudanças da Scuderia 111 não pararam por aí e fizeram a diferença na hora de fechar o balanço anual da equipe. (Foto: Fernanda Freixosa)

Mas essa não é a primeira experiência da Scuderia 111 na principal categoria do automobilismo brasileiro. De 2001 a 2006, Carlão ganhou duas corridas com Nonô Figueiredo: Londrina e São Paulo. Já na temporada 2007, a equipe ficou parada por cinco etapas após os pilotos Gualter Salles e Felipe Gama abandonarem as pistas.

Esse foi o primeiro ano em que tinha a regra de subir e descer. Voltamos para a Light: fiz 2008, 2009 e 2010 por lá. No ano passado, nos estruturamos para voltar para a categoria principal. A grande diferença entre elas é a visibilidade mesmo: como negócio, a V-8 te proporciona crescer muito mais. Então, montamos uma equipe forte no ano passado para poder voltar – explicou o chefe da equipe.

A Stock Car conta com 32 carros no grid, 16 equipes e 12 etapas por temporada. A Copa Montana tem 26 máquinas, 14 times e apenas dez corridas por ano. Esses números não fazem diferença apenas na organização das categorias: nos boxes, há também uma diferença de pensamento. Lá na divisão de acesso, nós usávamos seis mecânicos e era eu e mais um engenheiro. Aqui, eu uso oito mecânicos e temos um engenheiro para cada carro, mais um chefe de equipe e eu, que acabo controlando tudo. Além disso, ainda temos uma pessoa só para a telemetria. Nós temos também uma troca de informações com uma equipe estrangeira: tem um mecânico da DTM que não vem aqui fisicamente, mas conversa conosco e tem um outro custo – detalhou Carlão.

Julinho conversa com o engenheiro Patrick Grandidier: os dois foram contratados este ano(Foto:Duda Bairros)

Para retornar à Stock Car, a Scuderia 111 teve que gastar dinheiro. Com a contratação de novos mecânicos e engenheiros, Carlos Chiarelli fez propostas para profissionais de equipes rivais. Acabou ganhando a disputa fora das pistas, mas teve que correr atrás de dinheiro para bancar os novos “camisas 10″. Para você conseguir um patrocinador para a divisão de acesso é muito mais difícil que na V-8, porque a visibilidade aqui é maior. Aqui, o patrocínio da temporada gira em torno de R$1,5 milhão por carro; lá é R$450 mil. O patrocinador quer aparecer, quer estar aonde tem mais visibilidade – disse.

Além da contratação de integrantes da equipe, Carlão ainda teve outros gastos para se garantir no grid da Stock Car. Pneus, peças e tecnologia de ponta fizeram com que ele “esquentasse” ainda mais a cabeça. Em relação a pneu é quase igual, o custo das duas categorias é o mesmo. Lógico que a divisão de acesso tem só dez etapas, enquanto aqui são 12. Isso diferencia um pouco. A inscrição é a mesma. Mas o motor muda o preço. Aqui, na V-8, o aluguel do motor é mais caro. E você está em uma categoria que, para ser competitivo, tem que gastar. Eu tenho que mudar as peças em quase toda corrida. Para você ter um carro 100% e tentar andar entre os mais rápidos. Se você não estiver gastando e investindo, com certeza, vai andar atrás – afirmou.

O desempenho da Scuderia 111 em 2010 contou com grande auxílio dos pilotos Rafael Daniel e Sérgio Jimenez. Com a vaga já garantida na divisão principal, o time traçou o seu retorno à Stock Car. Mas a ideia de manter os antigos companheiros acabou sofrendo um grande desfalque. Quando a gente subiu, o pensamento era manter o Rafael Daniel e o Sérgio Jimenez e continuar com o mesmo patrocinador. Mas o patrocínio acabou não saindo a tempo e eu fui procurado pelo patrocinador do Alan Hellmeister e do Julio Campos. Quando eles me procuraram, já vieram com o kit pronto: patrocínio e pilotos. Foi bom porque eles já tinham experiência na categoria e já conheciam o carro – lembrou.

Com seis etapas já disputadas na Stock Car 2011, a Scuderia 111 aparece na 12ª colocação do campeonato de equipes, com 21 pontos ganhos. Ela disputa o título com mais 15 times. O melhor piloto dos boxes paulista na temporada é Julio Campos, que está na 15ª colocação e tem 18 pontos. Alan Hellmeister está em 25º e conta com 2.

Alan Hellmeister e Julio Campos estão revivendo uma parceria antiga na Scuderia 111 (Foto: Duda Bairros)

Rafael Honório | site Globoesporte.com