Lucas Di Grassi, piloto da ABB FIA Fórmula E, tem um grande compromisso com o futuro do planeta, capitalizado através de ações concretas como a Zero Summit, sua iniciativa para o meio ambiente.

O piloto brasileiro da equipe Audi Sport ABT Schaeffler é um dos nomes mais destacados da Fórmula E, tendo competido na série de monopostos elétricos desde o seu início, sendo parte também da criação da categoria.

Alejandro Agag, fundador da Fórmula E, ligou para Di Grassi há oito anos, quando a categoria era apenas uma ideia em sua cabeça, pedindo ajuda de Di Grassi na nova empreitada.

“Em 2012 quando ele recebeu da FIA o ok para fazer a Fórmula E, ele me ligou, falou “Lucas você está em Londres? ” Eu falei “ok, vamos conversar. ” Sentamos, tomamos um café, ele me explicou o projeto”, disse Di Grassi.

“Não tinha nada, não tinha nem investimento, era só um PowerPoint. Ele falou: “quero fazer um campeonato de carro elétrico, assim”. Ele não sabia ainda se ia ou não ia ser Fórmula, se ia ser na cidade ou em qual pista. Não sabia nada, falou: “o que você acha dessa ideia?” Eu falei: “acho sensacional porque fazia todo sentido para mim dentro da minha visão de como o automobilismo ia crescer e eu falei: “Estou dentro, como posso ajudar? ”, contou Di Grassi durante o Eprix de Berlim.

“Ele me contratou para ser um assessor em diversas áreas. Naquela época não tinha carro para testar, todo mundo falava que eu era piloto de teste, mas eu só coordenei um pouco a parte do desenvolvimento técnico, o que que a gente precisava ou não. E montei o bussiness junto com o Alejandro. O Alejandro sempre liderando e eu sempre aprendendo com ele. Como nas cidades, anunciamos a cidade do Rio de Janeiro que foi a primeira cidade que a gente anunciou e depois começou o campeonato. Eu deixei de ser empregado da Fórmula E, e virei piloto da Audi e segui como piloto porque eu queria correr mais alguns anos”, relembrou o piloto de 36 anos.

Para além da atividade de piloto profissional numa das séries mais competitivas do mundo como a Fórmula E, Di Grassi trabalha há vários anos para melhorar o ambiente e atualmente realiza a iniciativa Zero Summit, com o objetivo de promover a sustentabilidade a nível global.

“O zero summit não é nada mais do que você criar um networking de diferentes empresas, diferentes economias, diferentes pensamentos, trazer num mesmo lugar para discutir como cada área da sociedade deve se comportar e deve se desenvolver para gerar um futuro com menos carbono e aumentar a qualidade de vida das pessoas com o desenvolvimento económico. Então eu acredito que somente com inovação e tecnologia a gente vai conseguir um futuro com zero carbono”, explicou Di Grassi.
“Nós precisamos de mineração, precisamos de minério de ferro, nióbio, ouro, você precisa de uma série de elementos. Não tem como ter uma vida moderna, um celular, sem retirar níquel do solo. Agora, como você faz essa atividade de uma maneira muito mais eficiente, segura e mais sustentável? Isso vai ser falado no Zero Summit. Cada país tem uma matriz específica de energia. Por exemplo, não dá para a Escandinávia e Islândia funcionarem à base de energia solar. Não dá. A quantidade de sol que a Islândia recebe no ano é muito baixa. Mas o Brasil dá, mas o Brasil já tem hidro. Então quais são as soluções para cada lugar? O que que dá para ter? Geotérmica? Construção de casa? Materiais com menos impacto ambiental. Achar soluções viáveis para um futuro de zero carbono”, acrescentou o paulista.
Di Grassi já conquistou um título na Fórmula E (temporada 2016-17), é o segundo piloto com mais vitórias (dez contra 13 para Sébastien Buemi) e é o que obteve mais pódios (32) nas 69 corridas ao longo da existência da série. Apesar dessas conquistas, o piloto da Audi quer ir mais longe na pista, mas também já está pensando em qual será seu papel no automobilismo assim que aposentar o capacete.

“Eu quero estar envolvido com o gerenciamento da Fórmula E, a FIA, para ajudar a Fórmula E a crescer ainda mais. Eu acho que a Fórmula E ainda tem espaço, tem muito espaço para crescer, se desenvolver e ser a categoria número 1 do automobilismo mundial, mas somente se fizer algumas mudanças necessárias, principalmente de mentalidade. Eu quero estar mais envolvido na organização da Fórmula E quando eu parar de ser piloto”, finalizou.