Antonio Félix da Costa compartilha suas primeiras reflexões em uma entrevista exclusiva e descontraída no dia seguinte após se tornar campeão da ABB FIA Fórmula E, conquista que rendeu uma chamada exclusiva do presidente de Portugal.

Neste domingo, António Félix Da Costa realizou um sonho que já vinha trabalhando há muito tempo, mesmo nos momentos mais difíceis. Na temporada 2019/20 ele encontrou na DS Techeetah o lugar ideal para mostrar todo seu talento e acabou esmagando seus rivais, tornando-se campeão com duas corridas de antecedência.

“Foi uma noite diferente, dormi com uma felicidade enorme. Obviamente a vida é feita de vários momentos familiares e agora que estou aqui eu sinto mais isso, sem a família, os membros novos da família, mas uma coisa que eu trabalhei a vida toda, que dediquei todo meu esforço, meu trabalho, minha carreira, ganhar um título como o de ontem é uma das maiores felicidades que já tive.”, garantiu.

“Mas eu sinto muito que corro para os outros também e foi assim quando perdemos a nossa chance na Fórmula 1. Eu fiquei muito triste obviamente, mas trouxe muita dor sentir que deixei muita gente triste. Não desiludida, mas triste. E ontem foi o sentimento completamente oposto. Eu ganhei e estava entre os campeões do mundo de Fórmula E. Fiquei muito contente, foi um mar de emoções”, acrescentou.

A Fórmula E tem tido um crescimento exponencial desde o seu início, como evidenciado pelo atual grid com grandes pilotos e pela presença das principais marcas na categoria, mas a sua importância foi demonstrada mais uma vez quando o próprio Presidente de Portugal ligou para Da Costa para parabenizá-lo pessoalmente por sua conquista.

“Nós temos o Cristiano Ronaldo, que ninguém no mundo inteiro é melhor do que o Cristiano Ronaldo e ele é o maior motivo de orgulho para nós portugueses, mas eu senti que houve um apoio muito grande, uma grande adesão de muita gente que sentiu este título quase tão forte como eu. Ontem quando cheguei ao hotel recebi uma chamada do presidente de portugal, do Marcelo Rebelo de Sousa que me ligou a dar os parabéns em pessoa. Isso demonstra a grandeza do título. Um título mundial é sempre um título mundial. Nós somos um país pequeno, mas com muito talento, não só no futebol mas no kart, no surf, no golf, no tênis, na vela e em muitos mais esportes. Por isso é um orgulho fazer parte de um clube que traz também um título para Portugal.”, disse da Costa.

Em um momento em que Da Costa é visto ganhando corridas e dominando tudo, o novo campeão lembrou do grande esforço que deve ser feito antes de poder viver situações como esta.

“São muitas horas, para qualquer atleta que queira se destacar entre os melhores são muitas horas, muito trabalho, muito esforço, abdicar de várias coisas, menos dias em casa, faltar ao nascimento de um sobrinho ou os aniversários do meu pai. Eu falo muitas coisas familiares que deixo de fazer ou perco momentos importantes em família para dedicar tudo à minha carreira”.

“Mas não me arrependo nem 1% disso. As pessoas que estão à minha volta, que me apoiam, que me seguem. Apoiam se houver um lado que eu tenha que puxar para dar ainda mais à minha carreira por isso. A entrega e o sacríficio são coisas que fazem parte de qualquer atleta que queira ser um dos melhores do mundo. Por isso não me arrependo de nada, de todos os dias que acordo às 6 da manhã para ir treinar ou o que eu deixo de comer ou as festas que eu deixo de ir. Porque se for para alcançar resultados como o de ontem, tudo faz sentido. “

Da Costa tomou uma decisão arriscada ao deixar a BMW i Andretti Motorsport para se juntar à DS Techeetah nesta temporada, pois embora se tratasse de chegar à equipe campeã, ele iria dividir a garagem com um bicampeão como Jean-Eric Vergne. Muitos acreditaram que era o caminho errado, mas os resultados agora falam por si.

“Houve muita gente que duvidou da mudança de equipe. Não só por ser uma equipe francesa, mas um colega de equipe francês que era bicampeão da Fórmula E, eu estava na boca do lobo, como se diz em Portugal. Mas também quando começou a Temporada 6 a BMW fez as duas pole positions em Riad e ganhou uma corrida no Chile. Por isso muita gente começou a duvidar, mas eu acho que nós já tínhamos mostrado, eu pelo menos internamente, eu sabia o potencial que esta equipe tinha”

Da Costa insistiu na relevância que a Fórmula E tem atualmente e no respeito que a série conquistou desde o seu início em 2014.

“Fórmula E é uma categoria que eu estou desde o primeiro dia que existe e no início era mal vista, era vista como o lugar onde os pilotos iam para se aposentar, quem não tinha lugar na Fórmula 1 vinha para a Fórmula E. Mas eu acho que nos últimos anos conseguimos mudar essa percepção. Não há um piloto na Fórmula E que não seja profissional. Todos são empregados e pagos para estar aqui. Não é o caso na Fórmula 1, tem muitos pilotos pagantes e que estão na Fórmula 1 porque tem patrocínios grandes e malas de dinheiro que eles conseguem comprar um lugar na Fórmula 1 ”.

“Aqui não é o caso, aqui somos 24 pilotos onde eu genuinamente acredito, o piloto que acabou em último é vencedor das 24 horas do Le Mans, por exemplo. Não há nenhum piloto ruim na Fórmula E. Isso vai abrir muitas portas ao mundo, ao esporte a motor, hoje em dia somos respeitados por todos. Quando eu ganhei ontem recebi mensagens de muitos pilotos da Fórmula 1, o Verstappen, o Norris. Isso demonstra verdadeiramente o respeito que a Fórmula já tem e que já está impondo.”, explicou o flamejante campeão.