O reduzido grid em toda a temporada, a saída de montadoras como Honda e Mitsubishi nos anos anteriores e a falta de maior apoio da Vicar foram elementos determinantes para o desaparecimento de mais uma categoria brasileira.

Vicente Orige merecia mais no seu bicampeonato conquistado em Interlagos, no final do ano passado. Após ser campeão em 2017 vencendo pilotos de renome como Nonô Figueiredo e Thiago Marques, Orige disputou uma temporada em 2018 praticamente sem concorrentes reais para tentar impedir seu bicampeonato.

Vicente Orige (Foto: Duda Bairros)

Vicente Orige (Foto: Duda Bairros)

Algumas vitórias pontuais de pilotos novatos ou de nível diferente de Orige não foram suficientes para demonstrar a existência de um campeonato disputado. Além disso, o domínio técnico do Chevrolet Cruze e da equipe JLM Racing, do ex-piloto Juliano Moro tornou muito difícil para pilotos que corriam com o único Renault Fluence e dois Ford Focus de geração anterior terem qualquer chance de real disputa durante a temporada.

Outro baque foi a saída, no final de 2017, de pilotos como Nonô Figueiredo (que se tornou Diretor Técnico da equipe Hero na Stock Car) e de Thiago Marques (organizador da Sprint Race), que tiveram memoráveis disputas com Vicente Orige.

Um pouco antes a Honda, que havia ganho diversos títulos (em especial com Ricardo Maurício), e a Mitsubishi abandonaram o certame sem maiores explicações. E para 2018 foi a Toyota que retirou seu modelo Corolla das pistas. E pensar que não faz muito tempo até mesmo Rubens Barrichello dividia seus finais de semana entre a Stock Car e o Brasileiro de Marcas…

Rubens Barrichello (foto: Miguel Costa Jr)

Rubens Barrichello (foto: Miguel Costa Jr)

O canto do cisne do Brasileiro de Marcas aconteceu a alguns dias, quando o site oficial da categoria foi tirado do ar, consolidando o fim melancólico de uma categoria que já foi uma das melhores e mais disputadas do país.

Mas era previsível que isso aconteceria.

Um piloto que compunha o grid até pouco tempo atrás me confidenciou que a categoria era marginalizada pela Vicar, que não demonstrava nenhum interesse em apoiar ou incentivar o crescimento, a ponto de as equipes ficarem relegadas aos piores lugares nos autódromos para as etapas.

Vicente Orige é um grande piloto e se adaptou bem ao formato do Marcas, e merecia ter conquistado seu bicampeonato de forma mais digna do que disputando corridas com um grid esvaziado e um punhado de pilotos que não conseguiam lhe fazer oposição.

Com isso, o Brasileiro de Marcas entra para uma lista de categorias que acabaram de forma melancólica, lista esta que era (e ainda é) encabeçada pela Formula Truck, cujo fim será tema de outra matéria nossa.

E assim caminha nosso automobilismo, entre fim de categorias e de autódromos.

Entramos em contato com a assessoria de imprensa da Vicar para saber se queriam se manifestar sobre essa matéria mas até o presente momento não obtivemos resposta. Caso enviem, publicaremos a manifestação da organização.