Brasileiros começaram a temporada da F-3 Inglesa entre os destaques do campeonato, e reconhecem importância do campeonato sul-americano no desenvolvimento de suas carreiras na Europa

O brasiliense Lucas Foresti e o paulista Pietro Fantin estão entre os destaques da temporada 2011 da Fórmula 3 Inglesa. Na etapa do último fim de semana, em Oulton Park, Foresti foi ao pódio na primeira e na terceira corridas da rodada tripla (com uma vitória e um segundo lugar), e passou a ocupar a vice-liderança do campeonato.

Já Fantin, segundo colocado na segunda prova em Oulton Park e quinto na primeira, é o sétimo no campeonato e lidera o trio da Hitech Racing na tabela de pontos da International Class.

Em boa fase, os dois ressaltaram nesta semana a importância do aprendizado adquirido na Fórmula 3 Sudmericana para o desenvolvimento de suas carreiras na Europa. Foresti competiu na categoria em 2008, 2009 e 2010. Fantin participou da competição no ano passado.

“Disputar a F-3 Sudamericana antes de partir para a Europa representa uma vantagem para os pilotos brasileiros. No meu caso, pude aprender a base do automobilismo competindo no meu país, investindo menos recursos e me adaptando aos poucos a esse novo mundo, que é bem diferente do kart. A partir deste ano a F-3 vai usar pneus Pirelli, que são bem parecidos com os Avon usados na Inglaterra, e isso tornou a categoria ainda mais interessante em termos de aprendizado”, comentou Foresti, em conversa via o novo perfil da F-3 Sudamericana no Facebook.

A passagem de Fantin pela F-3 Sudamericana reforça ainda mais a importância da categoria no aprendizado de jovens pilotos. Depois de apenas alguns treinos no Brasil, ele optou por competir na Inglaterra e sentiu as dificuldades de estrear diretamente no exterior. Foi aí que resolveu voltar ao país para novos treinos e corridas no campeonato sul-americano.

“Foi na F-3 Sudam que adquiri boa parte da experiência e performance que desempenho hoje nas pistas da Inglaterra”, disse Fantin, também em conversa via o novo perfil da F-3 Sudamericana no Facebook. “Dentro do meu projeto, fiz três rodadas triplas e muitos treinos no Brasil. A competitividade da F-3 Inglesa ainda é superior à da Sudamericana, mas ainda assim acho que um piloto vindo do kart deva começar no Brasil, para aprender os aspectos básicos do automobilismo, como largadas, ultrapassagens, perda de pressão aerodinâmica, comportamento dos pneus, etc., além da parte técnica de configuração e acerto do carro. Depois desse primeiro passo, aí sim é imprescindível a disputa de uma categoria forte aqui na Europa”, comentou.

Embora bem menos numeroso do que no passado, o grupo de pilotos brasileiros que compete no exterior tem se dividido em dois subgrupos. O primeiro deles é formado pelos pilotos que, como Foresti e Fantin, começaram a desenvolver suas carreiras no Brasil. Já o segundo corresponde aos pilotos que, do kart, foram direto para categorias de monopostos no exterior. Não por acaso, o primeiro subgrupo tem obtido mais sucesso.

Nomes como os de Luiz Razia, Diego Nunes, Mario Romancini, Clemente Faria Jr., Lucas Foresti, Pietro Fantin, Alberto Valério, João Paulo Oliveira, Hélio Castroneves, Ricardo Zonta, Victor Meira e muitos outros tiveram passagem de destaque pela F-3 Sudamericana.

“O mundo é dinâmico e todos nós precisamos ficar atentos às mudanças que ocorrem em todas as áreas, inclusive no esporte. Nos anos 1970 e 1980, e até no início da década de 1990, era comum pilotos saírem do kart e competirem diretamente na Inglaterra, sem nem mesmo treinar no Brasil. Hoje isso não funciona mais, e o histórico recente dos pilotos que optaram por uma formação sólida no Brasil mostra isso. Seja apenas para treinos, ou para treinos e corridas, como o Lucas Foresti e o Pietro Fantin, os jovens que apostaram no automobilismo nacional tiveram melhores resultados na Europa ou nos EUA nos últimos anos”, apontou Augusto Cesário, chefe da equipe Cesário Fórmula, maior campeã da F-3 Sudamericana.

Presente de aniversário – Na opinião de Rodrigo Contin, chefe da equipe Hitech Racing no Brasil, as declarações favoráveis dadas por Foresti e Fantin a respeito da F-3 Sudamericana foram o melhor presente de aniversário que a categoria poderia ganhar no dia de hoje. Em 26 de abril de 1987, a F-3 Sudamericana começava sua história com uma corrida em Cascavel, no Paraná. Com 24 anos completados nesta terça-feira, a categoria iniciou há cerca de um mês sua 25a temporada.

“O reconhecimento espontâneo dos meninos que começaram com a gente é o nosso maior presente. Eles sentiram os benefícios de iniciar carreira competindo por aqui, e isso se reflete na boa campanha que estão tendo na Inglaterra. Não devemos esquecer, também, da ótima participação do Felipe Nasr, que lidera o campeonato inglês de Fórmula 3, um nome que tem o automobilismo brasileiro no DNA. Tenho certeza de que, no próximo ano, outros brasileiros que nesta temporada participam da F3 Sudam estarão brilhando na Europa”, declarou Contin.

Antes de fundar o braço brasileiro da Hitech Racing, ele trabalhou na F-3 Inglesa por três anos e conheceu de perto as dificuldades enfrentadas pelos pilotos brasileiros em seu primeiro contato com o automobilismo europeu.