Piloto goiano, que faz a primeira prova no Mundial de GT1, diz só conhecer o traçado belga por meio de câmeras onboard e corre contra o tempo para se adaptar.

Os quatro quilômetros de extensão do circuito de Zolder, na Bélgica, são desconhecidos para Jaime Câmara. O goiano, que fará sua primeira temporada no Campeonato Mundial de GT1 após dois anos correndo na Fórmula Indy e um ano e meio afastado das pistas, busca outros meios para se preparar e encarar o traçado ao volante do Corvette Z06 da DKR Engineering.

“Fiz minha carreira correndo nos Estados Unidos, ao contrário da maioria que disputa hoje a GT1″, destacou Câmara, que, para conhecer melhor o traçado antes da primeira sessão de treino livre, tem recorrido a vídeos on board da própria categoria.

“Dá para entender um pouco, mas não se vê tantos detalhes como, por exemplo, as ondulações do asfalto e o quanto o asfalto é abrasivo, entre outras coisas. Então, além dos vídeos, o track walk(caminhada pela pista que pilotos e engenheiros fazem antes do início dos treinos) vai ajudar um pouco”, apontou Jaime, que contará com o apoio do compatriota Enrique Bernoldi, que corre com o Nissan GT-R da Sumo Power GT. Os dois foram companheiros na equipe Conquest de Fórmula Indy, em 2008.

O mais importante, segundo o goiano, será aproveitar o máximo de tempo de pista durante as sessões livres, que somam duas horas e quarenta minutos, sendo que Jaime deve dividir a condução de seu Corvette Z06 com o francês Michaël Rossi.

“O principal vai ser buscar o máximo de quilometragem nestes treinos. Outras equipes testaram muito na pré-temporada e chegaram preparados. Eu fiquei um ano e meio sem correr, só treinando de kart. Então o tempo, a consistência, a adaptação e a técnica – já que se trata de um carro completamente diferente de tudo que eu guiei – exigem de mim um trabalho mais intenso neste início de temporada”, analisou Jaime.

Luto - Jaime Câmara se disse sensibilizado e chocado com o acidente que matou o piloto paulista Gustavo Sondermann, na etapa de abertura da Copa Montana, em Interlagos, no último final de semana. “Eu não o conhecia pessoalmente, mas quando acontece algo deste tipo com uma pessoa do mesmo meio que você, é impossível ficar alheio. Meus sentimentos à família”, lamentou.

“E espero, sinceramente, que a CBA tome providências para que se faça algo a respeito da Curva do Café. A Indy é um exemplo nesse tipo de prevenção, e creio que o caso ali não seria diferente dos circuitos ovais dos Estados Unidos. O automobilismo é um esporte de risco, sim, mas o desenvolvimento dos equipamentos de segurança deve acompanhar toda a evolução tecnológica dos carros”, analisou.