Com doze duplas em condições de faturar título na categoria geral, edição 2011 pode ser a mais competitiva dos últimos anos. Atualização de equipamento e melhor preparo tecnológico são apontados como motivos da evolução

A 19ª edição do Rally Internacional dos Sertões, que começa no próximo dia 9 e vai de Goiânia (GO) a Fortaleza (CE) durante 10 dias e cerca de 4,2 mil quilômetros de extensão, tem tudo para ser uma das mais disputadas da história, de acordo com alguns dos principais pilotos que entram na lista de favoritos à vitória no geral entre os carros. Além do nível dos competidores e dos equipamentos, a Dunas Race, organizadora da prova, preparou um dos percursos mais difíceis das 19 edições do segundo maior rali do mundo – também na ótica dos pilotos mais experientes. “O nível está muito mais alto este ano”, garante o vice-campeão geral de 2010 e campeão da recém-criada categoria Pro-Etanol, Klever Kolberg (Valtra/Veolia/Borrachas Vipal/Banco Fator/Arfix/Sparco/Dakar Inovação/Arycom/Unica). “Sem dúvida os competidores estão melhor preparados. Teremos um desafio pra valer pela frente”, destaca Cristian Baumgart, quarto colocado no geral em 2010, competindo este ano piloto que compete com patrocínio de Vedacit, Mitsubishi, Usiminas Automotiva e BF Goodrich com esquema técnico da Equipe Mitsubishi Brasil. Ambos estão entre os principais nomes para a briga pelo título em 2011.

“A prova vai ser muito mais difícil de vencer porque a organização está prometendo um percurso mais duro que ano passado, que já foi muito difícil. Além disso o nível dos pilotos e do equipamento vai ser bem melhor em 2011″, destacou Kolberg. “Houve uma evolução muito grande em relação a 2010, em parte graças à criação de uma categoria para carros movidos a etanol, que é mais barata, competitiva e menos poluente – ou seja, só tem vantagens. Então, muita gente que tinha equipamento mais antigo e não estava tão motivada ganhou um estímulo para investir e entrar nesta disputa com mais força. Por isso, a lista de favoritos aumentou”, continua o piloto do Valtra Dakar Eco Team, que terá como navegador o potiguar Flávio Marinho de França, repetindo a formação de 2010.

Cristian Baumgart, que tem como navegador Beco Andreotti, também acredita no avanço qualitativo dos competidores. “Com equipamentos melhores e um trabalho tecnicamente mais profissional, quase todo mundo se atualizou em relação ao ano passado, então acredito que teremos uma briga constante pela ponta. Acredito mesmo em uma alternância, mas acho que a vitória vai ser decidida nos detalhes: quem errar menos vai ficar com este título. Talvez nem sempre importe ser o mais rápido. O Sertões é uma corrida longa, então, se você conseguir se manter em um nível alto de competitividade, o importante passa a ser a constância. De nada adianta vencer uma etapa e quebrar na outra”, destacou.

Seu irmão Marcos Baumgart, 11º colocado na categoria geral ao lado do navegador Kleber Cincea e também dentro da Equipe Mitsubishi Brasil com apoio de Vedacit, Mitsubishi, Usiminas Automotiva e BF Goodrich, destacou outro ponto que colocará os protagonistas em igualdade de condições. “O Sertões deste ano vai ser bem travado, e isso ajuda a nivelar as diferenças entre equipamento – reduzindo as margens de tempo de um competidor para o outro. No aspecto técnico, posso dizer que todo mundo subiu um degrau. Combine isso a uma prova travada, técnica, e você tem a promessa de uma grande competição”, apontou.

“Nome aos bois” – Tanto os Baumgart como Kolberg fazem questão de apontar quem serão seus principais adversários no Rally dos Sertões em 2011. “O Guiga (Guilherme Spinelli, campeão da última edição e tricampeão da prova) vai andar com o carro com o qual ele correu no Dakar deste ano, que é bem melhor do que o que ele usou no Sertões em 2010; o Palmeirinha (Luiz Paulo Nobre) vem novamente com o mesmo modelo de BMW que o (Stéphane) Peterhansel correu o Dakar e chegou a vencer etapas… É outra ‘espaçonave’… O (Reinaldo) Varella volta também a ser um concorrente forte por voltar a contar com apoio oficial de fábrica, assim como os irmãos Baumgart, que sempre foram fortes, passaram o ano trabalhando, melhorando, e agora chegam com um status de favoritos ainda maior”, lembrou Klever, que continuou enumerando: “O Riamburgo Ximenes andou muito bem no ano passado e agora vai correr com carro a etanol; o Jean Azevedo, que nunca venceu o Sertões nos carros, mas já ganhou umas cinco vezes de moto; o João Franciosi que agora vem com um motor V8 e já venceu essa prova, os irmãos Maurício e Gustavo Bortolanza, o Luiz Eduardo Stédile, que vem na estrutura da MEM Motorsports… Todos são adversários que irão incomodar muito nesta edição”.

Tanto Marcos como Cristian Baumgart apontaram os mesmos concorrentes como o “pelotão de elite” do Sertões entre os carros neste ano. “Muitos melhoraram. O Palmeirinha, por exemplo, vem com um navegador muito mais experiente, campeão mundial. O Franciosi também é um concorrente que jamais pode ser descartado, que tem uma tocada muito constante e rápida”, comentou Cristian.

Seu irmão complementou: “Quem pode vir forte também é o Klever, que fez melhoras importantes no carro. Além disso, ele tem um histórico muito bom, soube trazer o carro no ano passado e é um cara que temos de observar – e tomar cuidado”, disse Marcos.

“No ano passado tínhamos cinco pilotos com chance de vencer, e agora temos mais de dez com certeza. Eu diria doze. Este ano desenvolvemos o equipamento e posso dizer do meu lado que nossa ambição é maior”, lembra o experiente piloto, com 23 participações no Dakar. “Mas não fui só eu que melhorei, infelizmente”, brincou Kolberg.